Em 2100, o mundo pode ter perdido metade das suas línguas. Para que tal não aconteça, a Google lançou um site destinado à preservação dos idiomas em vias de extinção que permite aos utilizadores a partilha de informação e conhecimento. Na nova página, a língua gestual portuguesa e o mirandês estão em perigo.
“Das 7000 línguas faladas actualmente, espera-se que 50% não sobrevivam até ao final do século”, ouve-se no vídeo de apresentação do novo projecto da Google.
O lançamento do site “Endangered languages” (Línguas em perigo) foi anunciado esta quarta-feira pela empresa. Suportado pela coligação com a Alliance for Linguistic Diversity (Aliança para a Diversidade Linguística), o objectivo é “preservar a diversidade cultural, homenagear o conhecimento dos antepassados e transmiti-lo às novas gerações”, afirmou a Google.
Através de um mapa interactivo, os visitantes podem navegar pelas 3054 línguas em vias de extinção documentadas no site e conhecer o seu nível de perigo. Em Portugal, foi dado o alerta laranja para o a língua gestual portuguesa e o Mirandês, correspondendo a línguas em perigo. A primeira foi classificada pelo European Deaf Sign Languages como estando ameaçada e ao dialecto de Mirando do Douro o Catálogo de Línguas em Perigo (ELCat) atribuiu o título de “vulnerável”.
Os utilizadores podem ainda partilhar informação actualizada sobre alguns dos idiomas em perigo, assim como amostras em áudio ou vídeo. “”A tecnologia pode apoiar estes esforços, ajudando as pessoas a criar registos de alta qualidade dos mais velhos, muitas vezes os últimos falantes de sua língua”, escreveram os gestores do projecto, Clara Rivera Rodriguez e Jason Rissman, no blog oficial da empresa.
Alguns estudos sobre as línguas mais ameaçadas estão já a ser partilhados no novo site pelo Catálogo de Línguas em Perigo (ELCat), liderado pelas equipas da University of Hawai’i at Manoa e da Eastern Michigan University, contando com o financiamento do National Science Foundation.
A longo prazo, a empresa pretende entregar a liderança do projecto a especialistas no campo da preservação linguística que podem tirar partido desta tecnologia. “Iremos entregá-lo oficialmente ao First Peoples’ Cultural Council (FPCC) e ao The Institute for Language Information and Technology (The LINGUIST List) da Eastern Michigan University”, revelaram os gestores do projecto.
Fonte:Público PT – www.publico.pt